Principais Falhas em Torqueadeiras Hidráulicas e Como Identificá-las

As falhas em torqueadeiras hidráulicas seguem padrões reconhecíveis. Cada tipo de falha tem sintomas específicos que aparecem antes ou durante a operação e apontam para uma causa determinada. Identificar esses sintomas corretamente é o que diferencia uma equipe que resolve o problema na hora de uma equipe que opera com equipamento defeituoso sem perceber, comprometendo o torque de todos os parafusos da parada. Para quem usa o equipamento por locação, o aluguel de torqueadeira hidráulica da torqueadeira.com.br inclui substituição imediata em caso de falha durante a operação.

Neste artigo você vai encontrar as falhas mais comuns em torqueadeiras hidráulicas organizadas por sintoma, com a causa provável de cada uma e o que fazer imediatamente para não comprometer a parada.

Falha 1: Bomba não atinge a pressão configurada

Sintoma

O operador aciona a bomba e monitora o manômetro, mas a pressão máxima atingida fica abaixo do valor configurado no limitador. O êmbolo do cabeçote avança parcialmente, mas o parafuso para de girar antes de atingir o torque especificado.

Causas mais comuns

Nível de fluido abaixo do mínimo: fluido insuficiente no reservatório causa cavitação na bomba de pistão, que aspira ar junto com o fluido e perde capacidade de pressurização. Portanto, verifique o nível antes de qualquer diagnóstico mais aprofundado.

Filtro entupido: filtro com alta restrição reduz o fluxo de fluido para a bomba e limita a pressão de saída. Além disso, um filtro colapsado por entupimento excessivo permite que contaminantes passem direto para o circuito.

Válvula limitadora de pressão com defeito: a válvula limitadora pode estar desregulada ou com o assento danificado, aliviando a pressão antes de atingir o valor configurado. Sendo assim, a pressão máxima do sistema fica travada abaixo do necessário.

Vedações internas desgastadas: vedações com desgaste permitem que o fluido circule internamente sem acionar o êmbolo do cabeçote, causando queda de pressão que o manômetro registra como incapacidade de atingir a pressão configurada.

O que fazer

Verifique o nível de fluido primeiro. Além disso, teste a bomba desconectada do cabeçote: se a pressão máxima em vazio corresponder ao configurado, o problema está no cabeçote; se não corresponder, o problema está na bomba. Em equipamento locado, comunique imediatamente a locadora para substituição.

Falha 2: Queda de pressão durante o aperto

Sintoma

A pressão sobe normalmente ao acionar a bomba, mas cai enquanto o parafuso ainda está girando, antes de atingir o torque especificado. O manômetro mostra oscilação ou queda progressiva durante o avanço do êmbolo. Consequentemente, o torque real aplicado é menor do que o calculado pela tabela de conversão.

Causas mais comuns

Bolhas de ar no sistema: ar no circuito hidráulico cria compressibilidade no fluido e causa oscilação de pressão durante a pressurização. Portanto, purgar o ar do sistema é o primeiro passo quando a pressão oscila durante o aperto.

Vedações internas do cabeçote desgastadas: fluido que escapa internamente pelo êmbolo do cabeçote reduz a pressão efetiva durante o aperto. Além disso, esse vazamento interno não é visível externamente, dificultando o diagnóstico.

Conexão de mangueira com vedante danificado: uma conexão que não veda completamente permite micro-vazamento sob pressão, causando queda lenta de pressão durante o aperto. Sendo assim, inspecione cada conexão durante a pressurização para localizar vazamentos.

Temperatura elevada do fluido: fluido superaquecido tem viscosidade reduzida, o que aumenta as perdas internas e dificulta a manutenção da pressão. Por essa razão, em operações longas com bomba elétrica, verifique a temperatura do reservatório periodicamente.

O que fazer

Pressurize o sistema lentamente e observe o manômetro. Se a pressão sobe e cai de forma oscilatória, purge o ar abrindo as purgadores dos pontos altos do circuito. Além disso, inspecione todas as conexões durante a pressurização com luz, procurando por micro-vazamentos. Se o problema persistir, o componente interno está desgastado e o equipamento precisa de manutenção corretiva.

Falha 3: Vazamento externo de fluido

Sintoma

Fluido hidráulico visível no exterior da bomba, das mangueiras, das conexões ou do cabeçote. O vazamento pode ser um fio contínuo, gotas intermitentes ou apenas umidade na superfície do componente. Qualquer vazamento externo é um sinal de falha que exige ação imediata.

Causas mais comuns

Anel vedante de conexão danificado: é a causa mais comum de vazamento externo. Os anéis vedantes das conexões de engate rápido se desgastam com os ciclos de engate e desengate. Portanto, ao identificar vazamento em conexão, troque o anel vedante antes de continuar a operação.

Retentor do êmbolo do cabeçote desgastado: fluido que vaza pelo ponto de saída do êmbolo indica retentor interno desgastado. Além disso, esse tipo de vazamento piora progressivamente com o uso e compromete a pressão disponível no cabeçote.

Fissura na cobertura da mangueira: uma fissura na cobertura externa da mangueira que atingiu o reforço metálico pode causar vazamento localizado. Sendo assim, qualquer fissura na cobertura da mangueira exige substituição imediata, pois indica comprometimento estrutural que pode evoluir para ruptura.

Tampa do reservatório sem vedação: a tampa do reservatório de fluido pode ter vedante desgastado ou estar mal rosqueada, causando vazamento durante a pressurização. Por essa razão, verifique a tampa antes de cada operação.

O que fazer

Identifique o ponto exato do vazamento antes de qualquer intervenção. Em conexão com anel vedante danificado, troque o anel e teste novamente. Em mangueira com fissura ou em componente com retentor danificado, substitua o componente. Nunca opere com vazamento externo ativo: além do risco de projeção de fluido sob pressão, o vazamento causa queda de pressão que compromete o torque.

Falha 4: Êmbolo não retorna à posição inicial

Sintoma

Após o aperto, o operador solta o gatilho da bomba, mas o êmbolo do cabeçote não retorna completamente à posição inicial. O soquete fica travado na posição avançada e o operador não consegue reposicionar o cabeçote no próximo parafuso sem forçar o retorno manualmente.

Causas mais comuns

Mola de retorno com fadiga: a mola responsável pelo retorno do êmbolo pode ter perdido força por fadiga de uso. Sendo assim, ela não consegue mais vencer a resistência do fluido no retorno. Em modelos com retorno hidráulico, a válvula direcional pode estar com defeito.

Contaminação no mecanismo de catraca: partículas sólidas ou fluido contaminado no mecanismo de catraca aumentam o atrito e impedem o retorno suave do êmbolo. Por essa razão, limpe e lubrifique o mecanismo conforme o intervalo recomendado pelo fabricante.

Temperatura muito baixa do fluido: em ambientes frios, o fluido hidráulico fica mais viscoso e aumenta a resistência ao retorno do êmbolo. Portanto, em operações em ambientes frios, aqueça o fluido fazendo alguns ciclos de pressurização e alívio antes de iniciar o aperto.

O que fazer

Tente o retorno manual forçado uma vez. Se o êmbolo retornar com força moderada, o problema pode ser temperatura ou contaminação leve. Se não retornar ou retornar com dificuldade extrema, o componente está danificado. Além disso, nunca force o retorno com objetos que possam danificar o êmbolo ou o mecanismo de catraca. Em equipamento locado, comunique a locadora para substituição.

Falha 5: Soquete escorrega sobre o parafuso

Sintoma

Durante o aperto, o soquete desliza sobre a cabeça do parafuso sem transmitir o torque corretamente. O operador ouve o barulho característico do escorregamento e percebe que o parafuso não avança mesmo com a bomba pressurizada.

Causas mais comuns

Soquete com arestas desgastadas: soquetes com uso excessivo têm as arestas internas arredondadas por desgaste e perdem a capacidade de engatar na cabeça do parafuso. Por essa razão, inspecione as arestas do soquete antes de cada uso e substitua soquetes com desgaste visível.

Soquete de tamanho levemente maior que o parafuso: um soquete de 32 mm em um parafuso de 30 mm parece encaixar, mas escorrega durante o aperto. Portanto, confirme sempre o tamanho exato do parafuso antes de selecionar o soquete.

Cabeça do parafuso danificada: parafusos com cantos arredondados por usos anteriores com ferramentas inadequadas não oferecem superfície de engajamento suficiente para o soquete. Sendo assim, nesse caso o problema está no parafuso, não no soquete.

O que fazer

Substitua o soquete e teste com o parafuso correto. Além disso, meça o parafuso com paquímetro se houver dúvida sobre o tamanho. Se a cabeça do parafuso estiver danificada, a solução é remoção com extrator de parafusos antes da remontagem com parafuso novo.

Falha 6: Manômetro com leitura incorreta

Sintoma

O manômetro indica pressão estável e dentro do esperado, mas os parafusos não atingem o torque especificado ou ficam com torque excessivo. Além disso, o ponteiro pode oscilar de forma anormal, não retornar ao zero após o alívio de pressão ou travar em determinada posição.

Causas mais comuns

Calibração vencida: um manômetro com calibração vencida pode ter acumulado desvio progressivo que faz a leitura diferir da pressão real. Portanto, a leitura indica uma pressão, mas a pressão real no sistema é diferente.

Dano por superpressão: pressurizar o sistema além da escala máxima do manômetro danifica o elemento de medição internamente. Além disso, em muitos casos o dano não é visível externamente, e o manômetro continua indicando valores, porém incorretos.

Contaminação por fluido no interior do manômetro: fluido hidráulico que entra no interior do manômetro pelo conector danifica o elemento de medição e causa erro de leitura. Por essa razão, verifique o conector do manômetro periodicamente.

O que fazer

Um manômetro com leitura suspeita invalida toda a operação. Sendo assim, não tente concluir a parada com manômetro defeituoso estimando a pressão por outros meios. Substitua o manômetro por um com certificado de calibração válido antes de continuar. Em equipamento locado, a troca do manômetro é responsabilidade da locadora.

Falha 7: Ruído anormal durante a operação

Sintoma

A bomba ou o cabeçote produz sons diferentes do habitual durante a operação: batidas, chiados, ronco de cavitação ou estalos durante o avanço e o retorno do êmbolo.

Causas e diagnóstico

Ruído de cavitação na bomba (chiado ou ronco): indica nível de fluido abaixo do mínimo ou filtro entupido. O fluido não chega com volume suficiente à bomba de pistão, que aspira ar e gera cavitação. Por essa razão, verifique o nível e o filtro imediatamente.

Batidas durante o avanço do êmbolo: indica desgaste ou folga excessiva no mecanismo de catraca do cabeçote. Além disso, pode indicar que o braço de reação está se movendo durante o aperto por falta de ponto de apoio adequado.

Estalos nas conexões: conexões que não estão completamente travadas fazem barulho ao se mover sob pressão. Portanto, ao ouvir estalo em conexão, alivie a pressão, inspecione a conexão e reengaje antes de pressurizar novamente.

Ruído metálico no cabeçote: partículas sólidas no interior do cabeçote causam ruído metálico durante o avanço e o retorno. Sendo assim, o cabeçote precisa de limpeza e inspeção interna antes de continuar a operação.

Como evitar falhas: prevenção com manutenção e checklist

A maioria das falhas em torqueadeiras hidráulicas tem origem no desgaste progressivo de componentes que uma manutenção preventiva adequada substituiria antes da falha. O programa completo de manutenção preventiva com os intervalos recomendados para cada componente está no artigo sobre manutenção preventiva em torqueadeira hidráulica: guia completo. Além disso, o checklist de inspeção pré-operacional que identifica esses problemas antes de cada uso está no artigo sobre checklist de inspeção pré-operacional da torqueadeira hidráulica.

Para entender os componentes internos da bomba e como cada um influencia o desempenho do sistema, veja o artigo sobre como funciona a bomba hidráulica da torqueadeira. Para o procedimento correto de configuração da pressão antes de cada operação, o artigo sobre como configurar o torque na torqueadeira hidráulica tem o passo a passo completo. Por fim, para o guia de operação segura e correta do equipamento, o artigo sobre como usar torqueadeira hidráulica: passo a passo completo cobre cada etapa da operação.

Conclusão

As falhas em torqueadeiras hidráulicas seguem padrões identificáveis quando o operador sabe o que observar. Pressão que não atinge o valor configurado, queda de pressão durante o aperto, vazamentos externos, êmbolo travado e soquete que escorrega são os sintomas mais comuns, e cada um aponta para causas específicas com soluções definidas.

Portanto, treine a equipe para reconhecer esses sintomas e estabeleça como regra: ao identificar qualquer sinal de falha, interrompa a operação e resolva o problema antes de continuar. Sendo assim, nenhum parafuso fica com torque incorreto por equipamento defeituoso, e a integridade das juntas da parada fica garantida do início ao fim.

Para o aluguel de torqueadeira hidráulica com substituição imediata em caso de qualquer falha durante a operação, entre em contato com a equipe da torqueadeira.com.br e informe o torque necessário e o período da parada.

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