Ruído Torqueadeira Pneumática: Ergonomia e Boas Práticas

O ruído torqueadeira pneumática é uma das principais características que o operador e o responsável de segurança precisam gerenciar. A ferramenta gera ruído pelo escapamento do ar comprimido e pela vibração do motor de palheta durante a operação, podendo ultrapassar 85 dB(A) em alguns modelos de maior capacidade. Esse nível coloca o operador acima do limite de exposição sem proteção auditiva estabelecido pela NR-15. Portanto, o uso de EPI auditivo e a adoção de boas práticas ergonômicas são obrigatórios em qualquer operação prolongada com o aluguel de torqueadeira pneumática.

Neste artigo você vai entender a origem do ruído torqueadeira pneumática, os limites legais de exposição, como escolher o EPI correto e quais práticas operacionais reduzem a exposição.

De onde vem o ruído torqueadeira pneumática

Para entender o ruído torqueadeira pneumática, é útil conhecer os componentes que o geram. O motor de palheta e o mecanismo de embreagem são as duas principais fontes sonoras da ferramenta. Para entender como esses componentes funcionam, veja o artigo sobre o que é torqueadeira pneumática e como funciona.

Ruído do motor de palheta

O motor de palheta gera ruído mecânico pela rotação das palhetas contra o estator e pelo fluxo turbulento do ar dentro da câmara. Além disso, o escapamento do ar após passar pelo motor contribui com ruído aerodinâmico na saída de exaustão. Por essa razão, modelos com silenciador de exaustão têm nível de ruído significativamente menor do que modelos sem esse componente.

Portanto, ao selecionar o modelo no aluguel de torqueadeira pneumática para operações de turno completo, pergunte sobre o nível de pressão sonora em dB(A) do modelo disponível. Modelos mais silenciosos têm nível entre 78 dB(A) e 82 dB(A); os mais ruidosos podem chegar a 95 dB(A) em plena carga.

Ruído do mecanismo de embreagem

No modelo de embreagem contínua, o estalo do mecanismo ao liberar gera um impulso sonoro agudo que, somado ao ruído contínuo do motor, eleva o nível médio de exposição. Já o modelo de pulso tem um perfil de ruído diferente: cada pulso da câmara de óleo gera um impacto discreto, com intervalo de silêncio entre pulsos. Por essa razão, o perfil de exposição sonora do operador varia entre os dois modelos mesmo quando o nível de pico é similar.

Vibração: o risco menos visível

Além do ruído torqueadeira pneumática, a vibração transmitida ao sistema mão-braço do operador representa um risco ocupacional relevante em operações prolongadas. A exposição continuada à vibração de mão e braço pode causar síndrome da vibração mão-braço (SVMB), com sintomas de entorpecimento, formigamento, perda de força de preensão e, em casos crônicos, danos vasculares e neurológicos.

A NHO 01 e a norma ISO 5349 definem os critérios de avaliação da exposição à vibração mão-braço. O valor de exposição diária normalizado para 8 horas (A(8)) não deve superar 2,5 m/s² como valor de ação, acima do qual medidas de controle são obrigatórias. Por essa razão, em operações que combinam alto volume de apertos com turno completo, a vibração merece atenção equivalente à do ruído.

Limites legais de exposição ao ruído torqueadeira pneumática

No Brasil, os limites de exposição ocupacional a ruído estão na NR-15 (Atividades e Operações Insalubres) e na NHO 01 da Fundacentro (Avaliação da exposição ocupacional ao ruído). A NR-15 estabelece que exposição a 85 dB(A) por 8 horas constitui atividade insalubre de grau médio. Para cada aumento de 5 dB(A), o tempo máximo de exposição cai pela metade: a 90 dB(A), o limite é 4 horas; a 95 dB(A), 2 horas.

Portanto, ao planejar operações acima de 85 dB(A), o responsável calcula o tempo de exposição, seleciona o EPI com atenuação adequada e organiza os turnos dentro dos limites legais. Além disso, o laudo técnico de condições ambientais de trabalho (LTCAT) precisa documentar os níveis de ruído da operação.

Protetor auditivo: como escolher o correto

A escolha do protetor auditivo para operações com ruído torqueadeira pneumática segue o Fator de Atenuação de Ruído (NRR) do EPI e o nível de pressão sonora da ferramenta. O NRR indica quantos dB(A) o protetor atenua em condições de uso correto. Contudo, na prática, aplica-se um fator de correção de 50% sobre o NRR declarado para estimar a atenuação real em campo.

Por essa razão, para uma ferramenta com 88 dB(A), o protetor precisa de NRR suficiente para reduzir a exposição abaixo de 85 dB(A). Sendo assim, um protetor com NRR 16 dB entrega atenuação real de aproximadamente 8 dB, reduzindo 88 dB(A) para 80 dB(A) — dentro do limite sem insalubridade.

Tipo concha (over-ear): maior atenuação e facilidade de colocar e retirar. Indicado para operações intermitentes onde o operador alterna apertos e verificações frequentes. Portanto, é a escolha padrão para montagem de estruturas metálicas.

Tipo plug (inserção): menor atenuação mas maior conforto em turnos longos e ambientes quentes. Sendo assim, é mais adequado para trabalhos em refinarias e petroquímicas onde o uso de capacete dificulta o protetor tipo concha.

Tipo plug com cordão: evita a perda do protetor em espaços confinados ou em trabalho em altura. Por essa razão, é obrigatório em operações dentro de vasos de pressão ou em plataformas elevadas.

Boas práticas para reduzir o ruído torqueadeira pneumática

1. Manter a pressão de ar no valor correto

Pressão de ar acima do especificado acelera o motor além da velocidade nominal, aumentando o nível de ruído e a vibração. Além disso, a embreagem libera com mais violência, elevando o nível de pico no momento do estalo. Por essa razão, manter a pressão de entrada dentro da faixa especificada pelo fabricante é a medida mais simples para reduzir o ruído torqueadeira pneumática sem custo adicional.

2. Lubrificação regular do motor

Um motor de palheta mal lubrificado tem mais atrito entre as palhetas e o estator, o que aumenta o ruído mecânico e a vibração transmitida ao cabo da ferramenta. A lubrificação correta com óleo específico para ferramentas pneumáticas mantém as palhetas deslizando suavemente. Portanto, a lubrificação não é apenas uma prática de manutenção: é também uma medida de controle de ruído e vibração.

Os cuidados completos de lubrificação e limpeza para manter a ferramenta em bom estado durante a locação estão no artigo sobre manutenção de torqueadeira pneumática: limpeza e lubrificação.

3. Preferir o modelo de pulso quando possível

O modelo de pulso transmite menos vibração ao operador do que o modelo de embreagem contínua, pois os impulsos são absorvidos pela câmara de óleo antes de chegar ao cabo. Portanto, em aplicações onde o torque especificado está dentro da faixa do modelo de pulso, essa escolha resulta em menor exposição à vibração mão-braço. Para entender as diferenças entre os dois modelos, veja o artigo sobre torqueadeira pneumática de pulso vs contínua: qual escolher.

4. Usar anti-vibração no cabo

Alguns modelos de torqueadeira pneumática têm cabo com revestimento anti-vibração que absorve parte da energia vibratória antes de chegar à mão do operador. Além disso, luvas anti-vibração certificadas pela norma ISO 10819 reduzem a transmissão de vibração para o sistema mão-braço. Por essa razão, em operações de turno completo com alto volume de apertos, luvas anti-vibração são um EPI relevante além do protetor auditivo.

5. Fazer rodízio de operadores

A exposição ao ruído e à vibração é cumulativa ao longo do turno. Portanto, em operações de alto volume, o rodízio de operadores reduz o tempo de exposição individual. Sendo assim, dois operadores alternando a ferramenta a cada hora têm exposição diária menor do que um único operador no turno completo, mesmo que o nível de ruído e vibração da ferramenta seja o mesmo.

6. Escolher o modelo com silenciador de exaustão

Ao solicitar o aluguel de torqueadeira pneumática para operações em ambientes fechados ou de longa duração, especifique o interesse em modelos com silenciador de exaustão. Esse componente reduz o ruído aerodinâmico do escapamento em 3 dB(A) a 8 dB(A) dependendo do modelo. Para entender como selecionar o modelo mais adequado para cada perfil de operação, veja o artigo sobre como escolher a torqueadeira pneumática certa para sua operação.

Postura e técnica operacional

Além do ruído torqueadeira pneumática, a postura do operador durante o aperto influencia a fadiga muscular, o risco de lesões por esforço repetitivo (LER) e a transmissão de vibração ao corpo. O guia completo de como operar a ferramenta com postura correta e técnica adequada está no artigo sobre como usar torqueadeira pneumática: passo a passo.

Em resumo, as práticas posturais que mais reduzem o risco ergonômico são:

  • Manter o punho em posição neutra durante o acionamento, sem flexão ou extensão forçada. Por essa razão, ajuste a altura do ponto de trabalho sempre que possível.
  • Segurar a ferramenta com a menor pressão de preensão suficiente para manter o controle. Preensão excessiva aumenta a transmissão de vibração para o sistema mão-braço.
  • Evitar força de reação excessiva nos parafusos de grande diâmetro sem ponto de apoio adequado para o braço de reação. Portanto, verifique o apoio antes de acionar.
  • Fazer pausas regulares de 10 a 15 minutos a cada hora de trabalho contínuo com a ferramenta. Sendo assim, a recuperação muscular e vascular reduz o risco acumulado de LER.

Documentação exigida pelo empregador

O empregador que usa torqueadeira pneumática com ruído acima de 85 dB(A) precisa documentar a exposição no PPRA e no LTCAT. Contudo, isso não elimina a obrigação de fornecer EPI auditivo com atenuação adequada e de registrar o recebimento e o treinamento de uso correto do EPI.

Além disso, para exposições à vibração acima de 2,5 m/s², o PCMSO precisa incluir avaliação periódica da função vascular e neurológica das mãos. Por essa razão, o ruído torqueadeira pneumática e a vibração são fatores que envolvem não apenas a seleção do EPI, mas a gestão completa de saúde e segurança do trabalhador.

Conclusão

O ruído torqueadeira pneumática e a vibração associada são riscos ocupacionais reais que precisam de controle ativo para proteger o operador em operações prolongadas. A combinação de EPI auditivo adequado, manutenção correta da ferramenta, rodízio de operadores e seleção do modelo com menor nível de ruído são as medidas que mantêm a exposição dentro dos limites legais e preservam a saúde do trabalhador.

Portanto, ao planejar qualquer operação com aluguel de torqueadeira pneumática de turno completo, inclua a avaliação do ruído e da vibração no planejamento de segurança. Sendo assim, o operador trabalha com produtividade e segurança ao longo de toda a jornada.

Para solicitar o aluguel de torqueadeira pneumática com o modelo correto para sua operação, entre em contato com a equipe da torqueadeira.com.br e informe as condições de uso, incluindo a duração do turno e o ambiente de trabalho.

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